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Notícia - Obesidade pode ser contagiosa, aponta estudo Obesidade pode ser contagiosa, aponta estudo

Algumas pessoas acreditam que a alegria pode ser contagiosa. Isso significa que quando se está cercado de pessoas alegres, as suas chances de aderir a esse estado emocional é maior. Parece que a obesidade também se aplica a esta regra.

Pelo menos é o que afirma um estudo publicado esta semana no periódico American Journal of Preventive Medicine. De acordo com os pesquisadores, indivíduos que têm amigos e/ou familiares próximos acima do peso podem ser influenciados pelos hábitos danosos que desencadearam a obesidade nessas pessoas e, portanto, também ganharem peso ao longo do tempo.

“Na obesidade, o contágio social significa que, se mais pessoas ao seu redor são obesas, isso pode aumentar a probabilidade de você se tornar obeso”, explicou Ashlesha Datar, principal autora do estudo, ao Daily Mail. A equipe explicou que isso ocorre porque as pessoas tendem a adotar comportamentos inconscientemente e, desta forma, a convivência com indivíduos obesos que se alimentam mal e não se exercitam pode levá-las a adotarem essa mesma conduta.

Os especialistas ainda ressaltaram que os vizinhos e a comunidade em que se vive podem exercer influência semelhante, destacando que para cada aumento de ponto percentual na taxa de obesidade local (vizinhança, por exemplo), a probabilidade de uma pessoa – em qualquer idade – se tornar obesa ou ter sobrepeso cresce em até 6%.

Segundo os cientistas, a obesidade pode ter três possíveis origens principais: a primeira é que pessoas com interesses e origens similares tendem a se localizar em áreas com características semelhantes. Outra explicação seria que os indivíduos são influenciados pelo ambiente compartilhado, como oportunidades para se exercitar e alimentação saudável. A terceira explicação é que a obesidade é transmitida através da influência social – hipótese que parece ter sido comprovada pela nova pesquisa.

Contágio social

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, acompanharam famílias de militares americanos espalhados por 38 bases ao redor dos Estados Unidos, incluindo municípios cujas taxas de obesidade da população estavam altas (entre 21% e 38%).

Entre os participantes havia 1.314 pais e 1.111 crianças. Segundo a equipe, esse perfil de participante foi escolhido porque militares não escolhem onde vão morar e, portanto, não foi uma opção pessoal viver em áreas com maior nível de obesidade.

Os resultados apontaram que bases localizadas em regiões com maior taxa de obesidade tornavam as famílias mais propensas ganharem peso. Além disso, os cientistas descobriram que cada aumento no percentual na taxa de obesidade poderia elevar o risco dos participantes ganharem peso: no caso de um dos pais, esse número crescia em 5%; para os filhos, especialmente os adolescentes, esse percentual aumentava entre 4% e 6%. A equipe acrescentou que quanto mais tempo essas famílias ficavam nesses locais, maiores eram os riscos de terem excesso de peso ou se tornarem obesas.

Eles ainda consideraram outros fatores que poderiam interferir nos resultados, como maior presença de restaurantes fast-food ou falta de academias, mas os dados continuavam apontado para a influência do círculo social. “Sem ter consciência, você é afetado pelo que as pessoas ao seu redor estão fazendo. Se você se mudar para uma comunidade onde o estilo de vida sedentário é a norma, você vai adotar isso. Existe essa influência social”, explicou Ashlesha.

Obesidade no Brasil

Dados de 2018 do Ministério da Saúde indicam que 18,9% da população acima de 18 anos nas capitais brasileiras é obesa. O percentual é 60,2% maior do que o obtido na primeira vez que o trabalho foi realizado, em 2006, quando essa parcela era de 11,8%. Esses números preocupam já que estudo do ano passado publicado no periódico Cancer Epidemmiology indicou que o Brasil terá 640.000 casos de câncer em 2025 – e quase 30.000 deles vão estar associados à obesidade.

Para os pesquisadores, o aumento da obesidade está associada a industrialização e o alto consumo de alimentos processados. “A industrialização de sistemas alimentares mudou profundamente as culturas alimentares tradicionais, que eram geralmente composta de alimentos frescos e minimamente processados”, escreveram no relatório.

A sugestão para solucionar a questão, de acordo com os pesquisadores, é adotar intervenções e políticas de saúde pública capazes de reduzir o problema a nível populacional. Outra medida capaz de ajudar na diminuição da obesidade – e consequentemente os números de alguns tipos de câncer – são inovações de mercado que valorizem alimentos frescos.

Fonte: Veja


 
 
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